Objetivos da Audiência Pública
A audiência pública realizada em Sorocaba no dia 5 de novembro de 2025 teve como principal objetivo discutir a implantação da Marginal Direita e do Sistema de Parques Norte-Sul do Rio Sorocaba. Este encontro foi promovido pelo vereador João Donizeti Silvestre e contou com a participação de diversos secretários municipais, especialistas e representantes da sociedade. Durante a audiência, foram apresentados os detalhes do projeto e seus impactos potenciais, além de ouvir as opiniões e preocupações dos cidadãos e especialistas presentes.
O projeto da Marginal Direita visa não apenas melhorar a mobilidade urbana na cidade, mas também criar um ambiente mais sustentável através da construção de parques lineares. Um dos principais focos da audiência foi garantir que o desenvolvimento da infraestrutura respeite as normas ambientais e contribua para a qualidade de vida na cidade. Assim, o evento se propôs a ser um espaço de diálogo entre o poder público e a população, onde questionamentos e sugestões seriam bem-vindos.
Um dos principais objetivos da audiência foi esclarecer os benefícios esperados do projeto, que incluem a redução do congestionamento na Avenida Dom Aguirre, um dos principais acessos da cidade. A secretária de Mobilidade, Carlos Eduardo Paschoini, enfatizou a importância de desobstruir essa via, que suporta um intenso fluxo de veículos diariamente.

Além disso, o evento procurou integrar a proposta da Marginal Direita com o planejamento de áreas verdes, que são essenciais para o meio ambiente urbano. Por meio da construção de parques, a expectativa é criar espaços de lazer e convivência, promovendo a qualidade de vida dos sorocabanos.
O Papel dos Vereadores
Os vereadores desempenham um papel crucial na discussão e aprovação de projetos que afetam diretamente a vida da comunidade. Na audiência pública sobre a Marginal Direita, a presença dos legisladores foi significativa, pois eles atuaram tanto como mediadores quanto como representantes dos interesses da população. O líder do governo na Câmara, vereador João Donizeti, destacou a necessidade de lidar com as demandas de infraestrutura sem desconsiderar as preocupações ambientais.
Os vereadores têm a responsabilidade de ouvir a população e facilitar a participação cidadã nas decisões que impactam a cidade. Durante a audiência, os moradores puderam expressar suas preocupações e debater as implicações do projeto. Essa interação é vital para a democracia, pois garante que as vozes da comunidade sejam consideradas nas decisões do governo.
Ademais, os vereadores também devem fiscalizar e acompanhar a execução dos projetos aprovados, garantindo que os mesmos sigam os padrões de qualidade e responsabilidade ambiental. A maior parte da discussão envolveu como o projeto da Marginal Direita se alinha com as metas de desenvolvimento sustentável e a importância de que as obras não comprometam o ecossistema da região.
Impactos Ambientais do Projeto
Um dos temas mais debatidos durante a audiência foi o impacto ambiental potencial da Marginal Direita no Rio Sorocaba. Especialistas presentes na audiência levantaram preocupações sobre as consequências que a obra poderia trazer para a vegetação nativa e o ecossistema local. O engenheiro agrônomo Clebson Ribeiro, responsável pela apresentação técnica do projeto, garantiu que a proposta inclui compensações ambientais e medidas para minimizar os danos ao meio ambiente.
O projeto prevê a recuperação de 42 hectares de vegetação nativa, com o plantio de mais de 12 mil mudas de espécies locais. Esta iniciativa é fundamental para garantir que a fauna e a flora da região não sejam severamente impactadas pela construção das vias e parques. Os representantes do projeto destacaram que a mitigação dos impactos negativos será acompanhada por um programa de educação ambiental, que visa conscientizar a população sobre a importância da proteção ambiental.
No entanto, muitos profissionais da área ambiental se mostraram céticos quanto à eficácia das compensações propostas. Alguns participantes da audiência argumentaram que a construção da marginal poderia levar ao desmatamento e à substituição de áreas verdes por pavimentação, o que reagiria de forma negativa ao clima e à biodiversidade local. Assim, surgiram questionamentos sobre a necessidade de um planejamento que realmente priorizasse a conservação ambiental, sem comprometer o desenvolvimento urbano necessário.
Licenciamento e Aprovação
Um aspecto central na discussão da Marginal Direita foi o processo de licenciamento realizado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB). Segundo o relato da secretária Jéssica Pedrosa, a licença ambiental foi um passo crucial que seguiu um longo processo de adequação para mitigar impactos. O licenciamento ambiental é uma exigência legal que garante que a obra será realizada em conformidade com as normas e diretrizes ambientais, buscando evitar que a natureza seja danificada sem reparação.
A obtenção da licença foi um marco fundamental para o início das obras. Contudo, a construção foi alvo de ação judicial do Ministério Público que gerou uma liminar impedindo seu início, com base em alegações de que a área não era adequada para o projeto. Esse tipo de contestação destaca a importância da fiscalização pública e da participação ativa da sociedade civil nas decisões sobre grandes obras que possam impactar o ambiente.
A aprovação e o licenciamento do projeto foram temas de intensa discussão durante a audiência, colocando em evidência a relevância de um processo transparente e participativo. A população demonstrou interesse em acompanhar de perto os desdobramentos, reivindicando acesso às informações e uma abordagem mais colaborativa nas questões de planejamento urbano e ambiental.
Desafios de Mobilidade Urbana
Outro ponto central da audiência foi a questão da mobilidade urbana na cidade de Sorocaba. A Avenida Dom Aguirre é um dos principais corredores de tráfego e apresenta uma sobrecarga significativa em seu fluxo diário. O projeto da Marginal Direita busca aliviar essa condição, mas a eficácia da obra é um ponto de debate. O engenheiro Carlos Eduardo Paschoini enfatizou que a construção da marginal se faz necessária para desenroscar a situação atual, onde cerca de 185 mil veículos transitam pela avenida diariamente.
A mobilidade urbana é um desafio que muitas cidades enfrentam, e a construção de novas infraestruturas deve estar sempre acompanhada de um planejamento de transporte sustentável. A audiência pública serviu como um espaço para discutir alternativas que não apenas se concentrem na construção de novas vias, mas que também promovam a utilização de modais de transporte mais sustentáveis, como ciclovias e transporte público. O uso excessivo de veículos particulares, por sua vez, demanda uma abordagem que promova a integração entre os diferentes meios de transporte.
A construção da Marginal Direita representa, portanto, um arco de soluções que devem conjugar a necessidade de infraestrutura com um planejamento que priorize o meio ambiente e os anseios da sociedade. Será fundamental que o projeto promova não apenas a melhoria no tráfego, mas também a proteção dos espaços verdes e a promoção de alternativas de mobilidade sustentável.
Compensação Ambiental Proposta
No contexto da audiência pública, a compensação ambiental foi um dos pontos que gerou maior debate. As propostas de compensação incluem a recuperação e replantio de áreas desmatadas, com o objetivo de limpar o impacto negativo das obras sobre a vegetação local. Segundo a apresentação técnica, será realizado o plantio de mais de 12 mil mudas de espécies nativas, contribuindo para a restaurar a biodiversidade local.
No entanto, os críticos do projeto levantaram questionamentos sobre a eficácia de tais compensações. Muitos especialistas expressaram preocupações sobre se o replantio seria suficiente para compensar a perda da vegetação original e se o transplante de espécies nativas poderia trazer bons resultados a longo prazo. Além disso, há quem acredite que a compensação deve ir além do plantio de árvores, incluindo medidas que busquem proteger os habitats e assegurar a biodiversidade local.
Discussões sobre compensação e mitigação de impactos são essenciais em projetos dessa magnitude. Para que haja real comprometimento com o meio ambiente, é fundamental que o planejamento leve em consideração não apenas a recuperação das áreas, mas também a continuidade das ações de preservação. O compromisso público deve ser de estudar continuamente o impacto ambiental, buscando inovações e melhores práticas para compor um futuro urbano mais sustentável.
A Importância da Participação Cidadã
A participação cidadã foi um aspecto analisado com destaque durante a audiência pública. O envolvimento da população é fundamental em todas as etapas do processo de planejamento e implementação de projetos de infraestrutura. A audiência proporcionou um ambiente onde diversas vozes puderam ser ouvidas, e isso é vital para fortalecer a democracia e garantir que as decisões atendam às reais necessidades da comunidade.
Os cidadãos apresentaram suas preocupações, sugestões e críticas, enriquecendo o debate. A criação de espaços de escuta como a audiência pública permite que as pessoas se sintam parte do processo e que tenham sua voz levada em conta na construção do futuro da cidade. É através dessa participação ativa que se busca promover um melhor entendimento entre o governo e os cidadãos.
Além de ser um direito, a participação cidadã é uma forma de garantir que a política pública atenda as demandas da sociedade. Portanto, é essencial que a Câmara Municipal continue a promover eventos como esse, onde a população tenha a oportunidade de entender, discutir e influenciar projetos que impactam o dia a dia da comunidade.
Reações de Especialistas e Comunidade
Durante a audiência, as reações de especialistas e da comunidade foram variadas. Muitas pessoas expressaram apoio ao projeto da Marginal Direita por acreditarem que poderia, de fato, aliviar o congestionamento e proporcionar novas áreas de lazer. No entanto, houve também uma forte resistência por parte de ambientalistas e cidadãos preocupados com os potenciais danos ao meio ambiente. Especialistas evidenciaram que a construção poderia levar ao desmatamento e ao comprometimento de áreas que são essenciais à biodiversidade.
As opiniões divergentes geraram um debate rico e necessário. Profissionais e cidadãos que defendem a preservação ambiental pontuaram que a construção deve ser reconsiderada ou, ao menos, adaptada para garantir que não comprometa a flora e fauna locais. A proposta de um parque linear, embora positiva, precisa ser tratada com cautela para garantir que se foque na preservação, e não apenas na criação de novos espaços.
É fundamental que o diálogo entre a comunidade e os especialistas continue após a audiência, estabelecendo um canal aberto para sugestões, críticas e inovações que possam ser propostas ao planejamento do projeto. Essa troca enriquecerá o debate e trará alternativas que talvez não tenham sido consideradas inicialmente.
Financiamento e Cronograma da Obra
A audiência também abordou questões relativas ao financiamento e ao cronograma para a execução das obras da Marginal Direita e do Sistema de Parques. O projeto contará com financiamento do CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina), o que é um indicador de investimento claro na infraestrutura e no desenvolvimento urbano da cidade. Esse aspecto financeiro é fundamental, pois garante que os planos possam entrar em prática sem a dependência de recursos não garantidos.
O cronograma da obra, que abrange diversos trechos, foi detalhado durante a apresentação do projeto. A proposta é que as obras sejam divididas em três etapas, permitindo um acompanhamento por parte da população e garantias de que as ações de mitigação e compensação ambiental estejam efetivamente em andamento.
Cabe destacar que a transparência em relação a como esses recursos serão utilizados e como o cronograma será seguido é fundamental para ganhar a confiança dos cidadãos. Informar a população sobre as etapas do projeto é uma maneira de garantir que todos estejam cientes e possam acompanhar o progresso.
Futuro do Sistema de Parques em Sorocaba
Por fim, o futuro do Sistema de Parques em Sorocaba promete ser uma parte essencial da identidade urbana da cidade. A Marginal Direita não deve ser vista apenas como um projeto de infraestrutura, mas como uma oportunidade para reimaginar a convivência com o meio ambiente e com a natureza. O sistema de parques, junto com o projeto de requalificação da Marginal, pode fomentar não só o lazer, mas a responsabilidade ecológica entre os cidadãos.
A construção de áreas verdes alinhadas com a urbanização é uma tendência mundial que busca promover o bem-estar social e psicológico dos moradores. Parques e áreas verdes proporcionam espaços que incentivam a atividade física, socialização e um contato mais próximo com a natureza.
Por fim, a sequência das obras e o comprometimento em manter a transparência e a adaptação conforme as demandas da comunidade e as necessidades ambientais determinará se a Marginal Direita se tornará um legado positivo ou um desafio a ser revertido no futuro. O sucesso desse projeto dependerá da interação contínua entre o governo, os cidadãos e os especialistas, assegurando que os direitos de todos, humanos e do meio ambiente, sejam respeitados e promovidos.
